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O nome de Camões na Literatura de Cordel do Brasil

O nome de Camões na Literatura de Cordel do Brasil

Arnaldo Saraiva

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Pelas puras verdades ou fábulas inventadas da sua vida, ou pelo engenho e arte da sua obra, Camões ou o nome de Camões irradia energias inesgotáveis de mito universal, ele que foi também um criador de mitos (o Velho do Restelo, o Adamastor, Pedro e Inês, a ilha dos Amores...).

Claro que é no mundo lusíada ou lusófono que esse mito tem maior fortuna, se, como disse Machado de Assis, em mares aspérrimos Camões salvou «língua, história, nação, armas, poesia». Tal fortuna é quase só vista nas áreas da chamada alta cultura, que até quando o promoveu a símbolo maior de Portugal quase esqueceu as suas cantigas e vilancetes e a sua aura popular.

Por sinal foi do Brasil, ou do seu Nordeste, que ao longo das últimas décadas vieram as melhores provas da permanência popular de Camões. Este nome figura em títulos e é nome de heróis ou anti-heróis de folhetos de cordel. Sabendo pelos gregos como os mitos conhecem com o tempo variações simbólicas, não estranharemos que por vezes o Camões nordestino só no nome – no apelido, sintomaticamente – lembre bem o poeta português. Mas o hilariante pícaro, malandro ou «amarelinho» talvez tenha nascido da memória que não esqueceu um homem superior, na aventura, no amor e na arte. O Camões de cordel vale-se da esperteza, até verbal, para sobreviver e se rir dos males e dos poderes que o ameaçam. O nome de Camões na obra de poetas populares do Brasil implica de algum modo uma homenagem, bem clara nos versos de um dos melhores, Patativa do Assaré: «Vejo a minha pequenez, / Ante o bardo português.»

Ano de edição: 2026

Páginas: 88

Coleção: Textos

Nº de coleção: 222

Dimensões: 16 x 24 cm

Encadernação: Brochado

ISBN: 978-972-36-2182-2

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Arnaldo Saraiva

Nasceu em Casegas (Covilhã). Licenciado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi doutorado pela Universidade do Porto, e é Professor Emérito desta Universidade, em cuja Faculdade de Letras ensinou, como ensinou na Universidade Católica (Porto), na Universidade da Califórnia em Santa Barbara e na Universidade de Paris (Sorbonne Nouvelle). Foi presidente da Fundação Eugénio de Andrade, e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Ensaísta, poeta, cronista, tradutor, na sua extensa bibliografia podem destacar-se as seguintes obras: Encontros Des Encontros (1973); Literatura Marginal izada (1975, 1980); Bilinguismo e Literatura (1975); In (1983); O Modernismo Brasileiro e o Modernismo Português (1984); Bacoco é Bacoco seus Bacocos (1995); Fernando Pessoa Poeta-Tradutor de Poetas (1996); O Sotaque do Porto (1996); Folhetos de Cordel e Outros da minha Coleção (2004); O Génio de Andrade (2014); Os Órfãos do Orpheu (2015) e O Porto de Eugénio de Andrade (2025).


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